Pesquisar em Adoro Saber!

Mostrando postagens com marcador Descritor 16. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Descritor 16. Mostrar todas as postagens

15 de jun. de 2022

Cordel A hora da morte, de Chico Salles

Você sabia que a Literatura de Cordel é patrimônio cultural do Brasil desde 2018?

   Entre versos, rimas e cantoria, a Literatura de Cordel é uma expressão cultural popular que abrange não apenas as letras, mas também a música e a ilustração. É um gênero literário, veículo de comunicação, ofício e meio de sobrevivência para inúmeros cidadãos brasileiros: poetas, declamadores, editores, ilustradores e folheteiros.

     Neste cordel, do paraibano Chico Salles (1951 - 2017), cordelista, cantor, compositor, conta a história de um sujeito que teve sonho confirmado pela previsão de uma cartomante, sobre o dia e a hora de sua própria morte. O conflito gira em torno da agonia vivida por ele desde o encontro com a cartomante, até o fatídico dia marcado para sua morte. 👻

     Ficou curioso? Leia o cordel para saber o que acontece! ☺️

     Ao final, tem até algumas atividades de compreensão e análise do poema. 😉

A HORA DA MORTE

Chico Salles

Esta primeira história

Me contou Jota Canalha

Afirmando ser verídica

Se deu em Maracangalha

O conto do Carochinho

Foi com Nelson Cavaquinho

Que se passou a batalha.


O sujeito teve um sonho

Do dia em que morreria

Seria na terça-feira

Vinte oito era o dia

Do primeiro fevereiro

Já estava em janeiro

Começou sua agonia.


No dia seguinte do sonho

Procurou a cartomante

Que confirmou a história

Ele mudou de semblante

Dizendo-lhe até o horário

Marcando no calendário

Ali naquele instante.


Seria às vinte e três horas

Reafirmou com certeza

O cara saiu dali

Carregado de tristeza

Murmurando repetia

Meu Deus mais que agonia

Mostre-me sua grandeza.


E com o passar dos dias

Aumentava a aflição

Ele cheio de saúde

E naquela situação

Meu Deus o que faço agora

Passava outra aurora

E nada de solução.


Quando chegou fevereiro

Seu peito alto batia

Procurou um hospital

E na cardiologia

Naquela dúvida infame

Fez tudo o que é exame

Até radiografia.


Fez exame de esforço

Urina e colesterol

Também exame de sangue

E fezes estavam no rol

Teve no ácido úrico

Um resultado telúrico

Feito isca no anzol.


A saúde era perfeita

Não tinha nem dor de dente

Ficou um pouco animado

Mais ou menos sorridente

Outra semana passou

O calendário voou

Deixando-lhe impaciente.


Até que chegou o dia

Daquela interrogação

Foi então dormir mais cedo,

Mas sua imaginação

Resolveu naquele instante

Tomar um duplo calmante

Haja, haja coração.

O relógio despertador

Em cima de uma banqueta

Ele embaixo do lençol

Aquela triste faceta

Um minuto era um mês

Olha o relógio outra vez

Batendo feito o capeta.


Depois, se passar das onze

Ele estaria salvo

Daquela situação

Não seria mais o alvo

Mas o tempo é assim

Quando quer fazer pantin

Não dá nem um intervalo.


Passava das dez e meia

Quando chegou o destino

Bateu na sua cabeça

Feito badalo de sino

Ali naquele momento

Veio no seu pensamento

Sair daquele pepino.


Pegou o despertador

Atrasou em quatro horas

Em seguida adormeceu

Feito anjos na aurora.

Isto já faz vinte anos

Vivinho e cheio de planos

Nem pensa em ir embora.



🔊
Ouça este conteúdo em nosso podcast: Adoro Ler, no Spotfy!


✏️✏️✏️ ATIVIDADES ✏️✏️✏️

Habilidades do CRMG: EF67LP28X, EF69LP47B, EF89LP37X

Descritores do SAEB: D3 – Inferir o sentido de uma palavra ou expressão;  D4 – Inferir uma informação implícita em um texto; D6 – Identificar o tema de um texto;  D16 – Identificar efeitos de ironia ou humor em textos variados.

Postagens populares