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4 de nov. de 2020

DERIVAÇÃO

     De forma simplificada, podemos dizer que DERIVAÇÃO é o processo de formação de uma nova palavra (a derivada) a partir de outra já existente (a primitiva). 

     É um processo importante para as línguas pois gera economia linguística, já que usa como base o léxico preexistente, em vez de criar palavras completamente novas.  Além disso, contribui para a identidade linguística dos povos, pois a derivação acontece de acordo com as necessidades comunicativas dos falantes em cada lugar em que o idioma é compartilhado.

        Ela se dá por meio do acréscimo de morfemas afixais (sufixos e prefixos). Assim, pode ser prefixal, sufixal, parassintética, regressiva ou imprópria. 


 Derivação Prefixal ou PREFIXAÇÃO 

      É o acréscimo de um prefixo à palavra primitiva. Isso resulta na alteração de sentido da palavra, pois cada prefixo, de origem latina ou grega, possui um significado diferente. 

 Ex.: leal – desleal       feliz – infeliz        operar – cooperar      braço – antebraço 


Derivação Sufixal ou SUFIXAÇÃO 

     É o acréscimo de sufixos às palavras primitivas. Existem os sufixos nominais e verbais. Assim, nesse processo, formam-se nomes (substantivos e adjetivos), verbos e advérbios. 

 Exemplos: 

 • Substantivos: aprender – aprendizagem ; brônquios – bronquite

 • Adjetivos: lama – lamacento ; fraude – fraudulento

• Verbos: Vela – velejar ; cabeça- cabecear

• Advérbios: Verdade – verdadeiramente ; feliz – felizmente 


 Derivação Prefixal e Sufixal 

 É o acréscimo de um prefixo e um sufixo à palavra primitiva, ao mesmo tempo.

 Exemplos: desigualdade , infelizmente, desvalorização


Parassindética 

   Também é o acréscimo de um prefixo e um sufixo ao radical simultaneamente, mas forma uma palavra que não existe apenas com um ou com o outro. Esse processo dá origem principalmente a verbos, obtidos a partir de substantivos e adjetivos. 

Ex.: bênção - abençoar ;   manhã - amanhecer ;  rijo - enrijecer ; louco - enlouquecer 


Regressiva

      Ocorre quando há uma redução da palavra primitiva. Forma substantivos a partir de verbos. Esse processo se dá pela troca da terminação verbal (a vogal temática + desinência de infinitivo –ar ou –er) por uma vogal: 

Exemplos: alcançar – alcance;     ajudar – ajuda;      beijar – beijo;   chorar – choro 


 Derivação Imprópria

     Quando uma palavra muda de classe gramatical, sem sofrer qualquer modificação em sua forma. 

Exemplos: Vamos jantar? (verbo)     /     O jantar está servido. (substantivo) 

 Viva com saúde. (verbo)     /     Viva! Conseguimos! (interjeição) 


 Não confunda mais! 

 O que veio primeiro - o verbo ou o substantivo? 

      Se o substantivo representar um objeto ou substância, então ele é a palavra primitiva.

      Ex.: caixa – encaixotar ; faixa – enfaixar; âncora - ancorar 

      Por outro lado, se a palavra representa originalmente uma ação, então o verbo será a palavra primitiva. Ex.: comprar – compra ; beijar – beijo ; jantar – janta


Derivação ou Flexão? 

      A derivação é assistemática, não-obrigatória, aberta e não causa concordância.

   Já a flexão é um fenômeno sistemático, obrigatório, fechado, usado para que haja concordância (verbal ou nominal) entre as palavras.1 

     Então, não confunda a flexão dos verbos, por exemplo, com uma derivação. 





10 de set. de 2014

Advérbio

         É a classe de palavras invariável que modifica o verbo (ou adjetivos, ou outros advérbios), acrescentando-lhe as circunstâncias em que a ação verbal é executada. Veja:


“Os alunos saíram rapidamente da sala.” (advérbios de modo e de lugar)
“Começaremos a estudar esse assunto logo.” (advérbio de tempo)

 Morfossintaxe do advérbio 


     Nas orações, os advérbios fazem parte do PREDICADO e exercem a função sintática de ADJUNTOS ADVERBIAIS. 


    Como todo TERMO ACESSÓRIO, ele não é essencial na oração, por isso, o sentido central dela não é alterado se ele for retirado. 


    Os advérbios se classificam conforme a circunstância que indicam. Veja um quadro com alguns advérbios:


Locução adverbial

     São grupos de palavras que têm a mesma função de um advérbio.

“O ladrão entrou na sala às escondidas.” (locução adverbial de modo / adjunto adverbial de modo)
“O livro está em cima da mesa.” (locuções adverbiais de lugar / adjuntos adverbiais de lugar)
“A festa será à noite.” (locução adverbial de tempo / adjunto adverbial de tempo)


Adjetivo X Advérbio

     Em algumas situações, empregamos adjetivo com a função de advérbio de modo.  Veja: 
Este é um carro rápido. (adjetivo, já que acompanha e modifica um substantivo)
Você come rápido. (=rapidamente, portanto é um advérbio de modo, já que acompanha e modifica um verbo)

   Para se distinguir um do outro, basta lembrar que o advérbio é invariável e o adjetivo, não. Além disso, o advérbio geralmente acompanha verbo, enquanto que o adjetivo acompanha substantivo. 



   Embora sejam classificados como termos modificadores e acessórios, os advérbios e locuções adverbiais agregam importantes informações aos textos.

     Eles permitem ao leitor entender a visão de mundo que dá suporte a opiniões, ou a compreender melhor um fato noticiado, por exemplo. 

     Em fim, os advérbios servem para indicar as circunstâncias em que ocorrem as ações do ser humano em seu contato com o mundo.



Vamos praticar? 

1. Nas frases a seguir, indique com 1 aquela em que a palavra destacada é um ADJETIVO e com 2 aquela em que é ADVÉRBIO. 

a) (   ) Nossa viagem deu certo.  / (   ) Ela estava certa em defender os filhos.

b) (   ) Pegue um copo redondo para tomar o suco. / (   ) Com esse calor, o suco "descerá redondo"!

c) (   ) Fale pausado e sem medo.  /  (   ) Ela tem a fala pausada e elegante.
    

2. Complete as frases com os advérbios pedidos entre parênteses. 
a) Jéssica se fantasiou de Chapeuzinho Vermelho na festa _________________. (tempo)

b) Todos ficaram ____________ contentes com a novidade. (intensidade)

c) Os alunos ________________ se empenharam no trabalho escolar. (afirmação)

d) A ginasta realizou seus exercícios __________________. (modo)

e) Meus avós vivem num sítio ____________________ das montanhas. (lugar)

f) ____________________ amanhã iremos à praia. (dúvida)

D15 - Estabelecer relações lógico-discursivas presentes no texto, marcadas por conjunções, advérbios, etc.

3. (SAERO) Leia o texto abaixo e responda

ESSE EÇA!

Talvez por ter nascido sem pai, talvez por ter sido um menino solitário, talvez porque ainda não havia televisão nem videogame, ou talvez porque fosse mesmo tímido, logo que pude decifrar as “formiguinhas pretas”, meu lazer passou a ser a leitura. Nada de “estudo”, nada de “busca do saber”. Ler para sonhar, para sentir-me na pele dos protagonistas, para me divertir mesmo.

Quanto dessas leituras habita ainda em mim!

Mas, pulando Lobato e os queridos autores de literatura juvenil, lembro-me de O suave milagre, do escritor português Eça de Queirós. Que impacto! Eu lia e relia o conto, lágrimas, frissons, emoções que acredito nunca mais ter conseguido sentir ao ler um texto. [...] O suave milagre continua como uma das minhas narrativas favoritas. Que conto! Esse Eça!

BANDEIRA, Pedro. Carta Fundamental, fev. 2011. Fragmento.

No trecho “... logo que pude decifrar as ‘formiguinhas pretas’” (2a linha), a expressão destacada estabelece uma relação

(A) condicional. (B) consecutiva. (C) final. (D) modal. (E) temporal.



4. (SAERO) Leia o texto abaixo e responda.

A CEIA

O restaurante era moderno e pouco frequentado, com mesinhas ao ar livre, espalhadas debaixo das árvores. Em cada mesinha, um abajur feito da garrafa projetando sobre a toalha de xadrez vermelho e branco, um pálido círculo de luz.

A mulher parou no meio do jardim.

– Que noite!

Ele lhe bateu brandamente no braço.

– Vamos, Alice.... Que mesa você prefere?

Ela arqueou as sobrancelhas.

– Com pressa?

– Ora, que ideia...

Sentaram-se numa mesa próxima ao muro e que parecia a menos favorecida pela iluminação.

Ela tirou o estojo da bolsa e retocou rapidamente os lábios. Em seguida, com gesto tranquilo, mas firme, estendeu a mão até o abajur e apagou-o.

– As estrelas ficam maiores no escuro.

Ele ergueu o olhar para a copa da árvore que abria sobre a mesa um teto de folhagem.

– Daqui não vejo nenhuma estrela.

– Mas ficam maiores.

Abrindo o cardápio, ele lançou um olhar ansioso para os lados. Fechou-o com um suspiro.

– Também não enxergo os nomes dos pratos. Paciência, acho que quero um bife. Você me acompanha?

Ela apoiou os cotovelos na mesa e ficou olhando para o homem. Seu rosto fanado e branco era uma máscara delicada emergindo da gola negra do casaco. O homem se agitou na cadeira.

Tentou se fazer ver por um garçom que passou a uma certa distância. Desistiu. Num gesto fatigado, esfregou os olhos com as pontas dos dedos.

– Meu bem, você ainda não mandou fazer esses óculos? Faz meses que quebrou o outro e até agora...

– A verdade é que não me fazem muita falta.

– Mas a vida inteira você usou óculos.

Ele encolheu os ombros.

– Pois é, acho que agora não preciso mais.

– Nem de mim.

– Ora, Alice...

TELLES, Lygia Fagundes. Antes do baile verde. 9. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p. 143-144. Fragmento. *Adaptado: Reforma Ortográfica.

No trecho “– Também não enxergo os nomes dos pratos.” (19a linha), a palavra destacada estabelece uma relação de

(A) conclusão. (B) condição. (C) oposição. (D) soma. (E) tempo.


Fontes:
  • COSTA, Cibele Lopresti. LOUSADA, Eliane Gouvêa. MARCHETTI, Greta. SOARES, Jairo J. Batista. PRADO, Manuela. Pra Viver Juntos – Língua Portuguesa, 7º ano. 3ª ed. São Paulo: SM, 2012.
  • CEREJA, Willian Roberto. MAGALHÃES, Thereza Cochar. Gramática Reflexiva – 7º ano. 3ª ed. São Paulo: Atual, 2012.


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