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7 de ago. de 2022

Contexto de produção e de recepção da obra literária

   Vários fatores influenciam na criação do texto literário: a visão de mundo do autor, o momento histórico e os valores (políticos, econômicos, culturais etc.) vigentes na sociedade em que a obra é produzida...

    Tais fatores atuam também na recepção  dessa obra pelo leitor e na construção de seu sentido. Vejamos:

   O AUTOR, ao trabalhar na criação do texto literário, expressa determinadas visões de mundo, deixando impressões de sua personalidade, do lugar de onde vem, das suas experiências em geral e dos seus objetivos. Tudo isso, dentro de um determinado contexto histórico e social, ou seja: do tempo, lugar e sociedade em que vive. 

     Há também, nesse contexto de produção, um certo anseio de atender às expectativas do provável público leitor de sua obra. 

    Já o LEITOR vai interpretar essa mesma produção, de acordo com sua experiência de vida, seu conhecimento de mundo, a sociedade e época em que vive, no momento em que lê a obra. 
 


ATIVIDADES de interpretação e de morfossintaxe


20 de jul. de 2022

CONOTAÇÃO e DENOTAÇÃO

 Texto literário e não literário 

      O texto literário é uma construção textual que usa uma linguagem própria, chamada de literária. Ele é SUBJETIVO, pois reflete a maneira de o artista enxergar a realidade, e INTANGÍVEL, porque não pode ser resumido, já que perderia todo o seu encanto.

Por ela, os autores e poetas utilizam a LINGUAGEM CONOTATIVA (sentido figurado), com palavras e expressões que fogem do sentido habitual, com significado diferente do original, que depende de todo um contexto para ser interpretada.

Essa linguagem expressa o que o artista não consegue por meio das palavras em seu sentido real. Assim, é comum encontrarmos diversas figuras de linguagem em suas produções.

Nesse contexto, vê-se que o texto literário não tem o objetivo de informar, mas sim, de entreter, de fazer refletir, de expressar as emoções de quem o produz. Isso faz com que haja predominância da função poética/emotiva.

Alguns exemplos de textos literários: peças teatrais, romances, poesias, contos, fábulas, crônicas... 

Texto não-literário 

Já o texto não-literário tem como objetivo informar, esclarecer, explicar, ou seja, pretende ser útil ao leitor. Por isso, usa uma linguagem chamada "utilitária", que é clara e objetiva. As palavras e expressões estão em SENTIDO DENOTATIVO, isto é: em sentido real, tal qual se encontram no dicionário.

Por isso, a função de linguagem predominante é a referencial.

Alguns exemplos são os artigos científicos, as notícias, os textos didáticos, entre outros.


Texto 1 - literário 

Texto 2 - não-literário 

  • Subjetivismo (visão do sujeito); 

  • Função: despertar emoção, estranhamento, entreter…

  • Linguagem conotativa: sentido figurado; 

  • Função poética/função emotiva; 

  • Linguagem figurada, polissêmica e plurissignificativa;

  • Caráter fictício, imita a realidade; 

  • Objetivismo; 

  • Função: informar; 

  • Linguagem denotativa: sentido do dicionário; 

  • Função referencial;

  • Linguagem clara, precisa e objetiva; 

  • Retrata acontecimentos reais;



ATIVIDADES


D9 – Identificar a finalidade de textos de diferentes gêneros; D15 – Reconhecer diferentes formas de tratar uma informação na comparação de textos que tratam do mesmo tema, em função das condições em que ele foi produzido e daquelas em que será recebido.

CANÇÃO AMIGA 

Eu preparo uma canção, 

em que minha mãe se reconheça

 todas as mães se reconheçam 

e que fale como dois olhos. 

[...] 

Aprendi novas palavras

 E tornei outras mais belas. 

Eu preparo uma canção 

que faça acordar os homens

 e adormecer as crianças. 

ANDRADE, C. D. Novos poemas. Rio de Janeiro: Jose Olympio, 1948. (fragmento). 

  1. (ENEM 2009) A linguagem do fragmento foi empregada pelo autor com o objetivo principal de: 

a) transmitir informações, fazer referência a acontecimentos observados no mundo exterior. 

b) envolver, persuadir o interlocutor — nesse caso — o leitor, em um forte apelo a sua sensibilidade.

c) realçar os sentimentos do eu lírico, suas sensações, reflexões e opiniões frente ao mundo real. 

d) destacar o processo de construção de seu poema, ao falar sobre o papel da própria linguagem e do poeta. 

e) manter eficiente o contato comunicativo entre o emissor da mensagem, de um lado, e o receptor — de outro.

  1. (ENEM 2009.1)

Texto I             

Ouvir estrelas

“Ora, (direis) ouvir estrelas! Certo

perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,

que, para ouvi-las, muita vez desperto

e abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda noite, enquanto

a Via-Láctea, como um pálio aberto,

cintila. E, ao vir o Sol, saudoso e em pranto,

inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!

Que conversas com elas?” Que sentido

tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!

Pois só quem ama pode ter ouvido

Capaz de ouvir e de entender estrelas”.

(BILAC, Olavo. Ouvir estrelas. In: Tarde, 1919)

Texto II           

 Ouvir estrelas

Ora, direis, ouvir estrelas! Vejo

que estás beirando a maluquice extrema.

No entanto o certo é que não perco o ensejo

De ouvi-las nos programas de cinema.

Não perco fita; e dir-vos-ei sem pejo

que mais eu gozo se escabroso é o tema.

Uma boca de estrela dando beijo

é, meu amigo, assunto p’ra um poema.

Direis agora: Mas, enfim, meu caro,

As estrelas que dizem? Que sentido

têm suas frases de sabor tão raro?

Amigo, aprende inglês para entendê-las,

Pois só sabendo inglês se tem ouvido

Capaz de ouvir e de entender estrelas.

(TIGRE, Bastos. Ouvir estrelas. In: Becker, I. Humor e humorismo: Antologia. São Paulo: Brasiliense, 1961)

A partir da comparação entre os poemas, verifica-se que: 

A) no texto de Bilac, a construção do eixo temático se deu em linguagem denotativa (figurada), enquanto no de Tigre, em linguagem conotativa (real, no sentido de dicionário).

B) no texto de Bilac, as estrelas são inacessíveis, distantes, e no texto de Tigre, são próximas, acessíveis aos que as ouvem e as entendem.

C) no texto de Tigre, a linguagem é mais formal, mais trabalhada, como se observa no uso de estruturas como “dir-vos-ei sem pejo” e “entendê-las”.

D) no texto de Tigre, percebe-se o uso da linguagem metalinguística no trecho “Uma boca de estrela dando beijo/é, meu amigo, assunto p’ra um poema.”

E) no texto de Tigre, a visão romântica apresentada para alcançar as estrelas é enfatizada na última estrofe de seu poema com a recomendação de compreensão de outras línguas.


10 de set. de 2014

Advérbio

         É a classe de palavras invariável que modifica o verbo (ou adjetivos, ou outros advérbios), acrescentando-lhe as circunstâncias em que a ação verbal é executada. Veja:


“Os alunos saíram rapidamente da sala.” (advérbios de modo e de lugar)
“Começaremos a estudar esse assunto logo.” (advérbio de tempo)

 Morfossintaxe do advérbio 


     Nas orações, os advérbios fazem parte do PREDICADO e exercem a função sintática de ADJUNTOS ADVERBIAIS. 


    Como todo TERMO ACESSÓRIO, ele não é essencial na oração, por isso, o sentido central dela não é alterado se ele for retirado. 


    Os advérbios se classificam conforme a circunstância que indicam. Veja um quadro com alguns advérbios:


Locução adverbial

     São grupos de palavras que têm a mesma função de um advérbio.

“O ladrão entrou na sala às escondidas.” (locução adverbial de modo / adjunto adverbial de modo)
“O livro está em cima da mesa.” (locuções adverbiais de lugar / adjuntos adverbiais de lugar)
“A festa será à noite.” (locução adverbial de tempo / adjunto adverbial de tempo)


Adjetivo X Advérbio

     Em algumas situações, empregamos adjetivo com a função de advérbio de modo.  Veja: 
Este é um carro rápido. (adjetivo, já que acompanha e modifica um substantivo)
Você come rápido. (=rapidamente, portanto é um advérbio de modo, já que acompanha e modifica um verbo)

   Para se distinguir um do outro, basta lembrar que o advérbio é invariável e o adjetivo, não. Além disso, o advérbio geralmente acompanha verbo, enquanto que o adjetivo acompanha substantivo. 



   Embora sejam classificados como termos modificadores e acessórios, os advérbios e locuções adverbiais agregam importantes informações aos textos.

     Eles permitem ao leitor entender a visão de mundo que dá suporte a opiniões, ou a compreender melhor um fato noticiado, por exemplo. 

     Em fim, os advérbios servem para indicar as circunstâncias em que ocorrem as ações do ser humano em seu contato com o mundo.



Vamos praticar? 

1. Nas frases a seguir, indique com 1 aquela em que a palavra destacada é um ADJETIVO e com 2 aquela em que é ADVÉRBIO

a) (   ) Nossa viagem deu certo.  / (   ) Ela estava certa em defender os filhos.

b) (   ) Pegue um copo redondo para tomar o suco. / (   ) Com esse calor, o suco "descerá redondo"!

c) (   ) Fale pausado e sem medo.  /  (   ) Ela tem a fala pausada e elegante.
    

2. Complete as frases com os advérbios pedidos entre parênteses. 
a) Jéssica se fantasiou de Chapeuzinho Vermelho na festa _________________. (tempo)

b) Todos ficaram ____________ contentes com a novidade. (intensidade)

c) Os alunos ________________ se empenharam no trabalho escolar. (afirmação)

d) A ginasta realizou seus exercícios __________________. (modo)

e) Meus avós vivem num sítio ____________________ das montanhas. (lugar)

f) ____________________ amanhã iremos à praia. (dúvida)

D15 - Estabelecer relações lógico-discursivas presentes no texto, marcadas por conjunções, advérbios, etc.

3. (SAERO) Leia o texto abaixo e responda

ESSE EÇA!

Talvez por ter nascido sem pai, talvez por ter sido um menino solitário, talvez porque ainda não havia televisão nem videogame, ou talvez porque fosse mesmo tímido, logo que pude decifrar as “formiguinhas pretas”, meu lazer passou a ser a leitura. Nada de “estudo”, nada de “busca do saber”. Ler para sonhar, para sentir-me na pele dos protagonistas, para me divertir mesmo.

Quanto dessas leituras habita ainda em mim!

Mas, pulando Lobato e os queridos autores de literatura juvenil, lembro-me de O suave milagre, do escritor português Eça de Queirós. Que impacto! Eu lia e relia o conto, lágrimas, frissons, emoções que acredito nunca mais ter conseguido sentir ao ler um texto. [...] O suave milagre continua como uma das minhas narrativas favoritas. Que conto! Esse Eça!

BANDEIRA, Pedro. Carta Fundamental, fev. 2011. Fragmento.

No trecho “... logo que pude decifrar as ‘formiguinhas pretas’” (2a linha), a expressão destacada estabelece uma relação

(A) condicional. (B) consecutiva. (C) final. (D) modal. (E) temporal.



4. (SAERO) Leia o texto abaixo e responda.

A CEIA

O restaurante era moderno e pouco frequentado, com mesinhas ao ar livre, espalhadas debaixo das árvores. Em cada mesinha, um abajur feito da garrafa projetando sobre a toalha de xadrez vermelho e branco, um pálido círculo de luz.

A mulher parou no meio do jardim.

– Que noite!

Ele lhe bateu brandamente no braço.

– Vamos, Alice.... Que mesa você prefere?

Ela arqueou as sobrancelhas.

– Com pressa?

– Ora, que ideia...

Sentaram-se numa mesa próxima ao muro e que parecia a menos favorecida pela iluminação.

Ela tirou o estojo da bolsa e retocou rapidamente os lábios. Em seguida, com gesto tranquilo, mas firme, estendeu a mão até o abajur e apagou-o.

– As estrelas ficam maiores no escuro.

Ele ergueu o olhar para a copa da árvore que abria sobre a mesa um teto de folhagem.

– Daqui não vejo nenhuma estrela.

– Mas ficam maiores.

Abrindo o cardápio, ele lançou um olhar ansioso para os lados. Fechou-o com um suspiro.

– Também não enxergo os nomes dos pratos. Paciência, acho que quero um bife. Você me acompanha?

Ela apoiou os cotovelos na mesa e ficou olhando para o homem. Seu rosto fanado e branco era uma máscara delicada emergindo da gola negra do casaco. O homem se agitou na cadeira.

Tentou se fazer ver por um garçom que passou a uma certa distância. Desistiu. Num gesto fatigado, esfregou os olhos com as pontas dos dedos.

– Meu bem, você ainda não mandou fazer esses óculos? Faz meses que quebrou o outro e até agora...

– A verdade é que não me fazem muita falta.

– Mas a vida inteira você usou óculos.

Ele encolheu os ombros.

– Pois é, acho que agora não preciso mais.

– Nem de mim.

– Ora, Alice...

TELLES, Lygia Fagundes. Antes do baile verde. 9. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p. 143-144. Fragmento. *Adaptado: Reforma Ortográfica.

No trecho “– Também não enxergo os nomes dos pratos.” (19a linha), a palavra destacada estabelece uma relação de

(A) conclusão. (B) condição. (C) oposição. (D) soma. (E) tempo.


Fontes:
  • COSTA, Cibele Lopresti. LOUSADA, Eliane Gouvêa. MARCHETTI, Greta. SOARES, Jairo J. Batista. PRADO, Manuela. Pra Viver Juntos – Língua Portuguesa, 7º ano. 3ª ed. São Paulo: SM, 2012.
  • CEREJA, Willian Roberto. MAGALHÃES, Thereza Cochar. Gramática Reflexiva – 7º ano. 3ª ed. São Paulo: Atual, 2012.


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