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15 de jun. de 2022

Cordel A hora da morte, de Chico Salles

Você sabia que a Literatura de Cordel é patrimônio cultural do Brasil desde 2018?

   Entre versos, rimas e cantoria, a Literatura de Cordel é uma expressão cultural popular que abrange não apenas as letras, mas também a música e a ilustração. É um gênero literário, veículo de comunicação, ofício e meio de sobrevivência para inúmeros cidadãos brasileiros: poetas, declamadores, editores, ilustradores e folheteiros.

     Neste cordel, do paraibano Chico Salles (1951 - 2017), cordelista, cantor, compositor, conta a história de um sujeito que teve sonho confirmado pela previsão de uma cartomante, sobre o dia e a hora de sua própria morte. O conflito gira em torno da agonia vivida por ele desde o encontro com a cartomante, até o fatídico dia marcado para sua morte. 👻

     Ficou curioso? Leia o cordel para saber o que acontece! ☺️

     Ao final, tem até algumas atividades de compreensão e análise do poema. 😉

A HORA DA MORTE

Chico Salles

Esta primeira história

Me contou Jota Canalha

Afirmando ser verídica

Se deu em Maracangalha

O conto do Carochinho

Foi com Nelson Cavaquinho

Que se passou a batalha.


O sujeito teve um sonho

Do dia em que morreria

Seria na terça-feira

Vinte oito era o dia

Do primeiro fevereiro

Já estava em janeiro

Começou sua agonia.


No dia seguinte do sonho

Procurou a cartomante

Que confirmou a história

Ele mudou de semblante

Dizendo-lhe até o horário

Marcando no calendário

Ali naquele instante.


Seria às vinte e três horas

Reafirmou com certeza

O cara saiu dali

Carregado de tristeza

Murmurando repetia

Meu Deus mais que agonia

Mostre-me sua grandeza.


E com o passar dos dias

Aumentava a aflição

Ele cheio de saúde

E naquela situação

Meu Deus o que faço agora

Passava outra aurora

E nada de solução.


Quando chegou fevereiro

Seu peito alto batia

Procurou um hospital

E na cardiologia

Naquela dúvida infame

Fez tudo o que é exame

Até radiografia.


Fez exame de esforço

Urina e colesterol

Também exame de sangue

E fezes estavam no rol

Teve no ácido úrico

Um resultado telúrico

Feito isca no anzol.


A saúde era perfeita

Não tinha nem dor de dente

Ficou um pouco animado

Mais ou menos sorridente

Outra semana passou

O calendário voou

Deixando-lhe impaciente.


Até que chegou o dia

Daquela interrogação

Foi então dormir mais cedo,

Mas sua imaginação

Resolveu naquele instante

Tomar um duplo calmante

Haja, haja coração.

O relógio despertador

Em cima de uma banqueta

Ele embaixo do lençol

Aquela triste faceta

Um minuto era um mês

Olha o relógio outra vez

Batendo feito o capeta.


Depois, se passar das onze

Ele estaria salvo

Daquela situação

Não seria mais o alvo

Mas o tempo é assim

Quando quer fazer pantin

Não dá nem um intervalo.


Passava das dez e meia

Quando chegou o destino

Bateu na sua cabeça

Feito badalo de sino

Ali naquele momento

Veio no seu pensamento

Sair daquele pepino.


Pegou o despertador

Atrasou em quatro horas

Em seguida adormeceu

Feito anjos na aurora.

Isto já faz vinte anos

Vivinho e cheio de planos

Nem pensa em ir embora.



🔊
Ouça este conteúdo em nosso podcast: Adoro Ler, no Spotfy!


✏️✏️✏️ ATIVIDADES ✏️✏️✏️

Habilidades do CRMG: EF67LP28X, EF69LP47B, EF89LP37X

Descritores do SAEB: D3 – Inferir o sentido de uma palavra ou expressão;  D4 – Inferir uma informação implícita em um texto; D6 – Identificar o tema de um texto;  D16 – Identificar efeitos de ironia ou humor em textos variados.


  1. O cordel “A hora da morte” é uma narrativa. O narrador é:

(  )  Personagem    (   ) Ele conta apenas o que observa.     (   ) Ele conta e participa da narrativa.

  1. “A hora da morte” é narrado na ordem.

(   ) Cronológica, pois a narrativa vai do fato mais antigo para o mais recente.

( ) Psicológica, pois este não apresenta uma ordenação natural ou sequencial dos acontecimentos


  1. O assunto do texto é:

(  ) A saúde de um homem.

(  ) Por meio de um sonho e da previsão de uma cartomante, um homem fica sabendo o dia e a hora de sua morte.

(  ) A confirmação da cartomante do dia da morte de um homem.


  1. Em um dos versos do cordel, é dito que “o calendário voou”. (Responda NO CADERNO)

a) O substantivo calendário foi usado em sentido comum ou figurado nesse contexto?

b) Ao dizer que “o calendário voou”, o que o texto do cordel dá a entender?


 Metáfora é uma figura de linguagem que usa uma palavra ou expressão para criar uma comparação, mas sem usar elementos comparativos: transfere-se as características de um elemento para outro, transformando um no outro.   

  1. Nos versos “Outra semana passou / O calendário voou”, há uma metáfora, pois a rápida passagem do tempo é comparada implicitamente à ação de voar.

  1. Como ficaria essa metáfora se fosse transformada em uma comparação?

  2. Em sua opinião, no contexto do poema, por que o cordelista escolheu usar uma metáfora e não uma comparação? 



A palavra ou expressão empregada com sentido exagerado para enfatizar uma ideia ou um sentimento é chamada de hipérbole

6. Enquanto esperava a morte, o homem achava que “um minuto era um mês”. Que sensação do personagem esse exagero exprime? Explique.


7. No verso "Adormeceu feito anjos na aurora", temos que figura de linguagem? Explique.


📝 GABARITO 📝


  1.   (   ) Ele conta apenas o que observa. 

  2. (   ) Cronológica, pois a narrativa vai do fato mais antigo para o mais recente.

  1. Por meio de um sonho e da previsão de uma cartomante, um homem fica sabendo o dia e a hora de sua morte. 

  2. a) No trecho "o calendário voou", o termo destacado foi empregado em sentido figurado, já que não se refere a um calendário de fato, mas sim à ideia de tempo.

    b) A intenção é expressar que o tempo passou muito rápido.

  1. a) Para transformar essa metáfora numa comparação, é preciso acrescentar um conectivo comparativo (como). Assim: "O tempo passou muito rápido como se voasse".

b) No contexto do poema, o autor preferiu a metáfora, já que esse recurso dá mais concisão aos versos, o que é importante para o ritmo do poema.

  1. Sensação de agonia, ansiedade, medo. Pois o tempo parece demorar para passar muito mais que o costume, por isso, ele usa a hipérbole. 

7. Nesse verso, o personagem é comparado explicitamente a um anjo. Explicitamente por causa da palavra "feito", que é equivalente a "como" ("Adormeceu como anjos na aurora"). Logo, temos a figura de linguagem comparação.



🔊 Ouça este conteúdo em nosso podcast: Adoro Ler, no Spotfy!




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