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2 de abr. de 2026

Editorial

    O editorial é um gênero jornalístico opinativo que expressa o posicionamento crítico de um veículo de comunicação (jornal, revista, site...) sobre temas relevantes, sem assinatura individual.

    Geralmente, vem nas primeiras páginas desse veículo, ou nas "pagina inicial" de blogs e sites, às vezes intitulado "carta ao leitor" ou "recado do editor".

 Caracteriza-se pela argumentação sólida, linguagem formal e impessoal, funcionando como a "voz" da empresa sobre política, economia ou sociedade. 

 Características principais do editorial 

 Posicionamento Institucional

    Representa a opinião de toda a empresa. Por esse motivo, geralmente, não é assinado por um jornalista específico.

Argumentação e Análise

    Utiliza fatos e dados para convencer o leitor, indo além da simples notícia. 

Estrutura Dissertativo-Argumentativa

   Introdução - primeiro parágrafo, em que é apresentado o tema (tese), com uma breve contextualização. Geralmente, até o segundo parágrafo, fica evidente a posição do veículo (opinião) com relação ao tema;

    Desenvolvimento - a partir do segunto ou terceiro parágrafo, em que são apresentadas a análise da tese, acompanhada de argumentos que a sustentam. Geralmente, é dedicado um parágrafo para cada argumento.

    Conclusão -  apresenta-se no último parágrafo, reforçando a tese inicial, podendo ser de dois tipos: 

    - tipo resumo: retoma as ideias apresentadas anteriormente;

  - tipo proposta: sugere uma solução para o problema eventualmente enfocado no texto.

Autorreferência

 É comum que o texto cite o próprio veículo de comunicação ou matérias anteriores. 


 Atividades
 

Leia, a seguir, um editorial publicado em um jornal no interior do estado de São Paulo.

Senso crítico e ‘fake news

A preocupação com o fenômeno das fake news (notícias falsas) é um dos desafios globalizados da atualidade e ganhou dimensão extraordinária com a revolução da internet. O modelo de veiculação da informação não é mais restrito aos profissionais do ramo e aos tradicionais processos de produção da indústria de comunicação de massa.

Agora, publicar textos, vídeos, fotos são práticas acessíveis a qualquer pessoa. Ao mesmo tempo em que os novos métodos criam facilidades de acessos e democratizam a informação, também podem gerar conteúdos falsos com a criminosa intenção de destruir reputações e induzir a sociedade a erros irreparáveis.

O tema foi abordado em reportagem publicada pelo Cruzeiro do Sul na coluna “Educare” [...]. O texto leva em conta a vulnerabilidade dos estudantes frente à difusão de notícias falsas, pois usam a internet no conjunto do conteúdo pedagógico. É imenso o risco de depararem com mentiras no mundo virtual. E recai sobre os professores parte da responsabilidade de fazer alertas aos alunos sobre o universo digital de notícias.

O doutor em história e docente de ensino superior e médio, Martinho Camargo Milani, propõe caminhos: “Aprender lógica, ter conhecimento científico dos fatos e senso crítico, por exemplo, é muito importante”. Ele acredita que essas aptidões podem ser úteis para desenvolver a capacidade de discernimento do aluno que depara com notícias falsas nas redes sociais.

Em contrapartida, o fenômeno das fake news também favorece a necessidade da cultura de valorização do jornalismo alicerçado nos princípios de busca da verdade e que seja pautado por valores éticos e democráticos. Cada vez mais a sociedade precisa de uma imprensa séria, independente, inspiradora de confiança. Desse modo, o tema não se restringe somente à educação, mas se estende também a todos os setores da sociedade comprometidos com os interesses do público que acessa notícias.

Em outubro do ano passado, o reitor da faculdade de jornalismo da Universidade Columbia em Nova York, Steve Coll, veio ao Brasil para participar do seminário internacional de jornalismo da ESPM-Columbia Jornalism School, e abordou esse assunto. Ele disse que os jornalistas precisam se disciplinar para adotar métodos de verificação de conteúdo digital.

“Às vezes são criadas campanhas com imagens ou notícias falsas, na esperança de que os jornalistas as retuítem e as legitimem”, ele descreveu. Também criam boatos para a imprensa dispensar a eles a mesma atenção com que trata os fatos, observou, recomendando: “Precisamos descobrir como tornar a redação (local de trabalho dos jornalistas) mais alerta a isso.”

A importância dessa questão ganha novos contornos no Brasil especialmente neste ano com a agenda das eleições. Com efeito, a mesma atenção dada às fake news deve ser concentrada na avaliação dos candidatos que se apresentarão aos eleitores. Maus políticos usam métodos semelhantes aos criadores de notícias falsas para enganar com promessas vazias os cidadãos de bem que votam por um Brasil melhor.

E, nesse cenário, o referido senso crítico mencionado pelo professor Martinho Camargo Milani deve ser acionado pelos eleitores. Escolher candidatos sérios e rejeitar os maus políticos também é uma responsabilidade de todos os brasileiros.

CRUZEIRO do Sul, Sorocaba, 29 jan. 2018. Disponível em:  https://www2.jornalcruzeiro.com.br/materia/855562/senso-critico-e-fake-news. Acesso em: 28 abr. 2022.


  1.  EF69LP14 Qual é o tema central abordado no editorial? (0,5 pt)

  1. (   ) Os desafios da profissão de jornalista no século XXI.

  2. (   ) A importância da educação para o desenvolvimento nacional.

  3. (   ) O fenômeno das fake news e a necessidade do senso crítico.

  4. (   ) As eleições brasileiras e os perigos da propaganda política.


  1. EF89LP04 Qual é o ponto de vista do jornal em relação ao tema? (0,5 pt)

  1. (   ) O jornal defende que a responsabilidade pelo combate às fake news é exclusiva das plataformas digitais.

  2. (   ) O jornal argumenta que o combate às fake news envolve múltiplos atores: educação, imprensa séria e senso crítico dos cidadãos.

  3. (   ) O jornal afirma que as fake news são um problema superado e que não há mais razão para preocupação.

  4. (   ) O jornal sustenta que apenas os professores são responsáveis por alertar os alunos sobre as notícias falsas.


  1. EF69LP12 Em qual parágrafo a tese (posicionamento central) do jornal fica mais evidente? (0,5)

  1. (   ) 1º parágrafo – quando descreve o fenômeno global das fake news como um "desafio globalizado".

  2. (   ) 2º parágrafo – quando aponta a dualidade dos novos métodos de informação: democratização versus produção de conteúdos falsos.

  3. (   ) 3º parágrafo – quando aborda a vulnerabilidade dos estudantes frente às fake news.

  4. (   ) 4º parágrafo – quando cita a fala do professor Martinho Camargo Milani sobre a importância do senso crítico.


  1. EF89LP05 A que se deve a relevância do tema, do ponto de vista público, segundo o editorial? (0,5 )

  1. (   ) Às eleições que se aproximavam na época da publicação, exigindo eleitores mais atentos e críticos. 

  2. (   ) Ao aumento do número de acessos à internet pelos jovens em idade escolar. 

  3. (   ) À necessidade de formar mais jornalistas para atuar na verificação de conteúdo digital.

  4. (   ) Ao crescimento das redes sociais e à democratização da informação.


  1. Agora, sintetize todas as questões anteriores, relacionando as colunas abaixo: (2/0,25 cada)

Parte do Editorial

Localização no Texto

Função

  1. Introdução / Contextualização

(     ) 8º e 9º parágrafos 

(     ) Confirma a tese, amplia a relevância para as eleições e conclama o senso crítico do eleitor. 

  1. Tese/Posicionamento

(     ) 3º ao 7º parágrafos 

(     ) Apresenta o tema (fake news como desafio globalizado).

  1. Desenvolvimento / Argumentação

(     )1º parágrafo

(      ) Mobiliza argumentos (educação, fala do professor, imprensa séria, fala do reitor).

  1. Conclusão / Reforço da Tese

(     ) 2º parágrafo

(     ) Expõe a dualidade do fenômeno: democratização x riscos, deixando claro o posicionamento do veículo de comunicação.


Gabarito

n.

Resposta

Justificativa

1

c) O fenômeno das fake news e a necessidade do senso crítico.

O editorial discute as fake news desde o título e ao longo de todo o texto, relacionando-as à importância do senso crítico, da educação e do jornalismo sério.

2

b) O jornal argumenta que o combate às fake news envolve múltiplos atores: educação, imprensa séria e senso crítico dos cidadãos.

O editorial menciona a responsabilidade dos professores (3º parágrafo), a valorização do jornalismo sério (7º parágrafo) e o senso crítico dos eleitores (último parágrafo).

3

b) 2º parágrafo – quando aponta a dualidade dos novos métodos de informação: democratização versus produção de conteúdos falsos.

No editorial, a tese (posicionamento central) costuma ser apresentada nos primeiros parágrafos. No 2º parágrafo, o jornal estabelece o cerne de sua argumentação: os novos métodos de informação trazem tanto benefícios (democratização) quanto graves riscos (conteúdos falsos com intenções criminosas). Esse é o ponto de partida para toda a reflexão que se segue sobre educação, jornalismo e senso crítico.

4

a) Às eleições que se aproximavam na época da publicação, exigindo eleitores mais atentos e críticos.

Embora o editorial trate da educação e do jornalismo ao longo do texto, a relevância pública do tema é explicitamente justificada no penúltimo parágrafo, quando o texto afirma: "A importância dessa questão ganha novos contornos no Brasil especialmente neste ano com a agenda das eleições." Trata-se de um recurso argumentativo que contextualiza a urgência do tema no momento da publicação.

5

Localização no texto: 4, 3, 1, 2

Função: 4, 1, 3, 2






Referências: 

  •  CEREJA, Willian. VIANNA, Carolina. Português: Linguagens. 9° ano. 11a. edição. Saraiva Educação S/A. São Paulo, 2022.



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